SUSTENTABILIDADE
Construções verdes são tendência no mercado imobiliário
Em Londrina, construções sustentáveis seguem em crescimento. Três imóveis já estão em processo de obtenção de selo verde
Para atender à demanda crescente, as construtoras apostam em empreendimentos que empregam a cultura sustentável. Em Londrina, três imóveis estão em processo de obtenção de selos verdes. Segundo o vice-presidente administrativo do Sinduscon-PR, Euclesio Finatti, 40% dos empreendimentos comerciais e 5% das casas residenciais, construídos nos últimos dois anos, são sustentáveis.
A sustentabilidade engloba o domínio ambiental, econômico e social do empreendimento. Esse tripé resulta em ganho na qualidade de vida. Além disso, em imóveis sustentáveis a economia de energia e água gira em torno de 30% a 40% tanto em prédios comerciais quanto residenciais. A redução nos gastos com manutenção e despesas mensais é o principal atrativo deste tipo de construção. “O cliente enxerga uma economia ao longo do período de locação. É um avanço, pois há dois ou três anos não existia projeto algum nessa linha, e vai crescer ainda mais”, garante Finatti.
Hoje, o Brasil é o quarto no ranking mundial de construções verdes com selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), um sistema de certificação e orientação ambiental de edificações. São mais de 600 empreendimentos registrados, de acordo com a organização não governamental Green Building Council Brasil, empresa que realiza esta certificação. O país está atrás apenas dos Estados Unidos, China e Emirados Árabes.
Um projeto sustentável contempla cinco estratégias básicas:
1. Implantação: tirar o melhor proveito das condições naturais da área, com aproveitamento da iluminação solar, do vento e da chuva no paisagismo da obra;
2. Eficiência energética: significa aproveitar o melhor possível a iluminação e ventilação naturais dos ambientes, a fim de diminuir o uso do ar condicionado e das lâmpadas, além da escolha de eletrodomésticos com selo de eficiência energética, que consomem menos energia;
3. Uso racional da água: o projeto deve contemplar o aproveitamento da água da chuva para irrigação e reutilização da água do chuveiro nos vasos sanitários, por exemplo;
4. Materiais ambientalmente corretos: preferência ao uso de materiais de construção regionais e que foram produzidos de forma menos agressiva ao meio ambiente;
5. Preocupação com resíduos: diminuir a geração de resíduos nas construções, priorizando a reutilização e destinação correta desses materiais.
Empreendimentos londrinenses empregam cultura sustentável
Em Londrina, um dos empreendimentos que emprega a cultura sustentável é um recém-lançado condomínio residencial da Plaenge, que contempla diversas ações para economia de condomínio e recursos naturais. Aquecedor solar para a piscina; cisterna que capta água de chuva utilizada na limpeza, irrigação do jardim, lavagem de carros; torneira com temporizador para evitar desperdício; posicionamento dos apartamentos leva em conta a trajetória do sol para auxiliar na iluminação natural; medidores individuais evitam desperdício de água, luz e gás.
“Esses imóveis não são mais caros por conta dos diferenciais. O interesse da empresa é de otimizar o uso dos recursos naturais e criar a cultura sustentável, fazendo dos colaboradores e clientes, multiplicadores desse pensamento”, garante a gerente regional da Plaenge, Celia Catussi. A preocupação em evitar o desperdício permeia todos os processos da obra. “Fazemos a reciclagem dos entulhos e treinamos nossos colaboradores para não haver desperdício de material”, diz. Segundo Célia, a empresa não busca a aquisição de selos deste tipo de construção no momento, mas a divisão industrial da empresa já conta com a certificação LEED em diversos empreendimentos.
Prédio contempla diversas ações para economia de condomínio e recursos naturais
Existe grande aceitação das construtoras por projetos com características sustentáveis, que contemplam menor custo de operação e manutenção, afirma a vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – Regional Paraná (ASBEA-PR), Cristiane Lacerda. A arquiteta acrescenta que os clientes também têm dado preferência por imóveis sustentáveis. “Às vezes a procura não é diretamente pela sustentabilidade, mas ele [cliente] sabe das vantagens e decide por elas”, diz. “O mercado imobiliário cresce a cada ano. Se os projetos não forem sustentáveis, uma hora vai faltar. Saber utilizar e reutilizar é o futuro”, complementa.
Cristiane comenta que antes o pensamento era de que o melhor imóvel seria o mais barato. Mas hoje interessa mais a qualidade dos materiais empregados e como a obra foi pensada. “Os selos sustentáveis começaram a surgir no Paraná em 2003 e passaram a despertar atenção. O imóvel pode até custar mais caro, mas recompensa na economia a longo prazo”, diz.
Para quem está pensando em investir em imóveis sustentáveis, o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL), Nilton Capucho, comenta que o cliente pode questionar se o imóvel emprega tecnologias como cobertura verde, iluminação com leds, placas voltaicas (que transformam a luz solar em energia), pisos ecológicos (que deixam passar água da chuva), arquitetura que possibilite o reuso da água e acabamentos que apresentem baixa toxidade (como tintas, por exemplo), são alguns pontos a se observar. A cultura da sustentabilidade contempla também a preocupação com a diminuição dos entulhos e a reutilização dos resíduos das obras. “O reuso de materiais também tende a diminuir os custos”, complementa Finatti.
Certificados asseguram sustentabilidade
Os “selos verdes” têm o objetivo de assegurar que a construção contemple padrões que garantam a eficiência dos processos e permita economizar recursos naturais. Isso se reflete nas contas mensais e manutenção do condomínio. “O custo de uma certificação é de 5% a 7% do valor da obra, que se paga em dois ou três anos”, explica Finatti.
Outra opção é a certificação pelo Processo Aqua (Alta Qualidade Ambiental) Habitacional que exige que o construtor atenda 14 categorias de critérios de desempenho nas três fases do empreendimento programa (idealização da construção), concepção (elaboração do projeto) e realização (obra e depois de pronto).
O processo LEED contempla quatro níveis, com diversos itens que avaliam uso do solo, da água, energia e ar, por exemplo. As inovações no design e as prioridades regionais também são consideradas. As certificações são mais procuradas por construções comerciais, explica Carolina Prates Mori, arquiteta da Master Ambiental, única empresa que realiza o processo de certificação em Londrina. “A certificação é a garantia de que o imóvel passou por pesquisa científica, atestando a sustentabilidade”, afirma.
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